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Carlos Cabral é fundador e editor do Jornal Tamoios e da TV Tamoios Que existem problemas em Tamoios, não posso negar. Mas vamos analisar um pouco os fatos, sem bairrismo, sem emoção, sem nenhum sentido político ou partidário. Vou me usar, inclusive como exemplo. Eu comprei um terreno, bastante afastado do centro, com todos os acessos sem nenhum tipo de pavimentação. Comprei por dois grandes motivos. O primeiro por ser uma área ainda bastante verde, com uma perfeita harmonia com a natureza. E o segundo motivo foi por ter um preço muito abaixo dos terrenos próximos à orla ou próximos ao conforto e facilidades do centro urbano. Comprei sabendo de todos os problemas que teria, pagando um pequeno preço, por não ter as facilidades que um de maior valor me forneceria. Comprei analisando também que poderia ser um excelente investimento para o futuro e construí uma bela casa de dois andares, apostando numa valorização futura. Dois caminhos podem acontecer daqui a algum tempo. Poderá acontecer que, devido ao baixo valor dos terrenos, somente ocorra construções de casebres, acontecendo uma favelização da área, desvalorizando totalmente o meu imóvel. Ou pelo contrário, outras pessoas poderão pensar exatamente como eu e construírem casas espetaculares, havendo uma grande valorização da região, inclusive do meu imóvel. É um risco que corro, é um risco inerente a um investimento, seja ele qual for. Porém uma coisa é certa: eu comprei o terreno barato, sabendo que estava comprando por um preço inferior devido a alguns fatores. Se eu compro um tênis sem marca, num camelô qualquer, não posso exigir que tenha a durabilidade de um tênis de um grande fabricante. Se eu compro um fusquinha não posso exigir a velocidade ou o arranque de uma Ferrari. São produtos totalmente diferentes e evidentemente com valores diferentes. E quem compra por um preço baixo, sabe que está pagando esse valor, devido às características inferiores do produto. Isso é uma questão de mercado, é uma questão de produto, de valor e qualidade. Qual seria então a solução? A meu ver e como sempre bato na mesma tecla, a solução seria o trabalho em conjunto da sociedade com o governo. Sentarem na mesma mesa representantes do povo e representantes do governo, falando com o mesmo tom de voz, com o mesmo conhecimento sobre o assunto, sem nenhum ranço, sem nenhum rancor, sem nenhum posicionamento político, somente uma conversa entre cidadãos, entre pessoas com o mesmo interesse, isto é, o de resolver questões urbanas, o de resolver problemas baseados apenas na implantação de projetos, com soluções plausíveis tanto em seus aspectos sociais, técnicos e econômicos. Enfim, sociedade e governo em estreita relação, pois temos que ter sempre em mente uma questão muito simples: um governo não tem existência própria e independente. Ele existe para o povo, para a sociedade e para isso está constituído. E o povo, por sua vez, instituiu o governo para que os desejos e ações da maioria dessa sociedade tenham possibilidade de realização, que os objetivos comuns tenham chances de concretude. Sendo um acordo mútuo, por que não uma solução mútua? É a pergunta que faço. ARTIGOS ANTERIORES: Tamoios é a terra do Maniqueísmo, a terra da luta do bem contra o mal A participação numa sociedade tem quer ser como na família Para fazer acontecer tem que existir projeto Será que sou tão importante assim? Será que estou em outro mundo... Em outro planeta? Será que fui a outro réveillon? Sem emancipação temos que conquistar Cabo Frio A política pela política na cidade separada por um muro de lamentações |
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