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Carlos Cabral é fundador e editor do Jornal Tamoios e da TV Tamoios O Homem, desde o início dos tempos, sentiu necessidade de conviver em grupo, criando sua primeira área urbana, os pequenos aglomerados, as aldeias, até chegar às cidades e às grandes metrópoles, com o intuito de conviver com seus semelhantes, de unirem forças e esforços. Mas a célula básica desde o início da formação da sociedade foi a família.Com a família nos emocionamos, doamos amor, amizade e colocamos todos nossos esforços e luta para o bem estar das pessoas que formam esta célula básica. Quando um fato importante acontece todos os membros da família se reúnem, trocando idéias e presença. E mesmo que seja algo corriqueiro, como um simples domingo, todos se interagem, conversam, trocam experiências, enfim, se unem, nem que seja em torno de uma simples macarronada. Todos sabem tudo sobre todos. Cada um conhece a personalidade de seus parentes, conhece os defeitos e as virtudes. E o mais importante, querem ficar juntos. É um tal de organizar churrascos e pequenas festinhas, somente para troca de emoções e idéias. Além da participação de cada um na família, nós participamos também em grupos maiores, com maior abrangência. Todos os dias estamos com nossos colegas da escola ou do trabalho. Todas as semanas estamos com nossos companheiros da igreja, do nosso time de futebol ou a turma do surf da praia. E com eles interagimos, tomamos conhecimento de tudo que acontece nesses grupos e também ajudamos a acontecer... Como eu disse, a célula básica da sociedade é a família e a sociedade deveria ser o reflexo dessa célula, chamada família, com suas interações, com suas emoções, com sua participação. Porém em Tamoios isso não acontece. Nossa população pouco participa. Por exemplo, se eu trouxer Roberto Carlos, um dos cantores populares mais conhecidos no Brasil, para uma tarde de autógrafos de seu último CD, na Praça de Unamar, em uma data que não seja especial, garanto que poucas pessoas irão comparecer. O mesmo poderia dizer em outras áreas de atuação. Poderia trazer a seleção brasileira de futebol ou de vôlei para uma visita ao nosso ginásio poliesportivo e novamente uma ínfima parcela de nossa população compareceria. O que acontece com nossa sociedade? Por que a participação popular é tão pequena? Eu acho que um dos maiores problemas é a falta de uma identidade forte, onde as pessoas se reconheçam e reconheçam seus vizinhos e amigos. Mas o que vem a ser identidade de uma população? A identidade é determinada pelos fatores comuns que expressam a visão que cada um tem de si e do seu mundo, tornando o fator geral de uma determinada sociedade. Esses fatores podem ser a língua, o comportamento, o trabalho, as regras de convívio, o que se come e bebe, o que se veste, a música, etc, tudo isso contribuindo para a formação de um povo. A identidade dos povos são as características específicas de cada civilização, algo que diferencia um povo do outro. E essa identidade reúne todos numa única visão geral de mundo. A questão da Identidade coloca-se quando entram em contacto, pacífico ou violento, grupos de seres humanos de distintas origens étnicas e culturais, e que sentiram necessidade de se deslocar procurando novas terras, melhores climas, em suma, melhores condições de vida, assim como aconteceu e ainda acontece em Tamoios. Esse reconhecimento de si e dos outros personagens da sociedade é de crucial importância, pois as emoções e interações só podem acontecer entre os que se reconhecem, assim como acontece entre os membros da família. Enquanto não nos reconhecermos como uma grande família, enquanto os elementos de nossa sociedade não se reconhecerem entre si, essa participação será bem pequena. Nós temos que nós esforçar para reconhecermos cada indivíduo de nossa população como alguém que tem expectativas e desejos semelhantes aos nossos. Que tem pensamentos e gostos parecidos. Mas como isso poderia acontecer? O caminho é o comparecimento, é o início da própria participação. É a eterna simbologia da cobra mordendo o próprio rabo. Não há identidade se não houver participação e não há participação se não houver identidade. Esse círculo tem que ser rompido. Resumindo toda essa questão: é necessário que nós, como povo, como sociedade, participemos mais dos fatos e eventos que acontecem em Tamoios. Precisamos urgentemente nos aproximar como povo, reconhecermos o que somos e lutarmos pelo que pretendemos ser. O momento é esse.
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