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E os quiosques do pontal?

09/02 - 11:00h - A Prefeitura de Cabo Frio recebeu uma intimação do Poder Judiciário Federal exigindo a demolição dos 16 quiosques construídos na área considerada da União, às margens do Rio São João e em área de proteção ambiental permanente, em Tamoios.
A intimação foi expedida no dia 16 de agosto e no dia 20 de dezembro todas as barracas do Pontal de Santo Antônio, ao lado da Foz do Rio São João, foram retiradas. Ao todo, foram dezessete unidades que se encontram irregulares. Porém existe uma demanda por parte dos banhistas, que mesmo com a ausência dos quiosque abre um mercado a ser atendido e não houve como evitar a proliferação de caixas de isopor e de mercadorias e cadeiras e mesas na areia da praia. Talvez a emenda tenha ficado pior que o soneto, como diz a velha expressão popular.

Pará, dono de um quiosque do Pontal falou a nossa reportagem: “Retiraram nossas barracas e não deram nenhuma satisfação. O dinheiro da indenização até agora não saiu, a gente vai para um lugar, vai para o outro e nada. Resumindo, até hoje estamos sem nada, não podendo nem trabalhar, a fiscalização levou nossas coisas, enfim queremos a solução para o nosso problema. Nós fomos avisados de boca que as barracas iriam ser retiradas, mas nós não recebemos a notificação. Ficamos sabendo quando vimos na televisão e no dia seguinte estavam retirando tudo, não deixando praticamente a gente tirar nossas coisas. Eles não querem nem nos deixar trabalhar com isopor na praia, imagine com os quiosques. Estamos cheios de dívida e temos que trabalhar, mesmo tendo que carregar todos os dias os isopores e nem as cadeiras podemos deixar na praia, pois segundo eles atrapalham ao meio ambiente, um absurdo isso. É um grande transtorno, além do enorme gasto, inclusive temos despesa com a compra de gelo”.

Bastante aborrecido Pará disse que a retirada das barracas, segundo explicações que ele ouviu, foi porque estavam sujando e trazendo urubus para a praia. “As barracas saíram e os urubus continuaram, porque continua a imundice na beira do rio. Ninguém pode tomar banho na beira do rio. As barracas saíram e continuam os urubus, quem está trazendo eles para a praia? Sou eu? Com certeza que não. Eles querem a área limpa, mas como, se continua a bagunça de peixe podre na beira do rio? Não podemos trabalhar, mas podem limpar peixe na beira do rio”, comentou Pará.

Os quiosqueiros alegam que tiveram um grande prejuízo, pois fizeram uma programação para o verão, realizando compras de mercadorias e equipamentos.

“Eu tive um prejuízo enorme, perdi mais de seis freezers e nada disso foi ressarcido. Nós avisaram para anotar tudo que tinha na barraca que eles iriam pagar tudo. Mal deu tempo de retirarmos alguns freezers, a mercadoria e os bens materiais que investimos para o carnaval foi tudo destruído pelo pessoal da prefeitura. Precisamos da indenização prometida, pois temos dívidas, temos contas a pagar. Eles falaram que iria dar 10 mil para cada quiosqueiro e até agora nada”, disse Pará.

Segundo informações dos quiosqueiros, a fiscalização do meio ambiente não quer ninguém trabalhando na área, mas os fiscais não aparecerão porque o subprefeito não quer que aumente a tensão no pontal.

“Já que fomos prejudicados e que não podemos correr atrás, pelo menos deixem a gente trabalhar em paz. Queremos pelo menos trabalhar esse verão, depois veremos o que vai acontecer”, finalizou o quiosqueiro.

ENTREVISTA COM NELSINHO SA SECAF

Os problemas em relação aos quiosques do Pontal não ficaram restritos a área. O Jornal Tamoios recebeu uma série de telefonemas e emails reclamando que depositaram todo o lixo, toda madeira retirada do Pontal no extinto estacionamento dos ônibus de turismo.
O Jornal procurou Nelsinho da Secaf, que nos forneceu explicações sobre o fato e prometeu limpeza imediata do local: “Em relação àquele entulho, aquele resto de madeira que foi retirada do Pontal, por ordem do Ministério Público, quero deixar bem claro que eu lá não estava, quando apareceu o pessoal para derrubar. Foi uma ordem que veio do Primeiro Distrito juntamente com a subprefeitura para realizar a tal demolição. Simplesmente me solicitaram equipamentos e fiz o atendimento. Com relação ao material retirado, não me coube indicar a destinação. Existe um responsável para a indicação desse material para um local indevido. Mas como homem que sou, cidadão, responsável, trabalhador e além do mais governo, pois sou pago para isso e diferente de algumas pessoas que não tem a coragem de assumir o que fazem, eu assumo publicamente o compromisso de limpar imediatamente aquele local. Estou sacrificando alguns equipamentos, dobrando a carga horária para que o povo de Tamoios, um povo que tenho muito zelo e preocupação. É uma pena que ainda não consigo fazer mais, pois Tamoios merece muito mais, porém com meu esforço de cidadão responsável aqui pelo Segundo Distrito estou recolhendo todo o material e levando para seu destino final. Podem ter a certeza se depender de mim, lixo aqui não será acumulado. Às vezes pode passar um ou dois dias a mais, porque não temos equipamentos suficientes, principalmente para a alta temporada”.

Nelsinho da Secaf finalizou dizendo que tomaria providências logo depois da reportagem. “Tenho certeza que Tamoios hoje tem outra cara. Tamoios mudou muito depois que Nelsinho chegou para trabalhar. E não vou me abater, como já disse várias vezes, doa a quem tiver que doer, custe o que tiver que custar, vou trabalhar sempre. O importante é você morador de Tamoios. Eu tenho um compromisso, eu tenho que zelar, eu tenho que limpar, eu tenho que trabalhar para o bem de vocês. É isso que tem que ser feito, como homem de bem que sou”.

ENTREVISTA COM O SECRETÁRIO EDUARDO LEAL GUIMARÃES

O Jornal Tamoios conversou com Eduardo leal Guimarães, Secretário de Habitação e Serviços Públicos de Cabo Frio, que informou que foram retirados do Pontal um total de 17 quiosques, sendo inclusive alguns inativos, totalmente sem funcionamento.

Eduardo foi taxativo com relação à indenização que os quiosques têm direito, dizendo que a Câmara de vereadores aprovou uma indenização de no máximo 10 mil reais para cada quiosque, mas que foi formada uma comissão, no qual ele faz parte e mais quatro secretários, para avaliar a quantia que cada um tem direito.

Segundo o secretário, no dia que, por ordem do Ministério Público, foram desmontados os quiosques, foi necessário que um caminhão levasse mercadorias e bens de dois quiosques para o município de Casimiro de Abreu, ficando comprovado, dessa forma, que alguns donos de quiosques não eram moradores de Cabo Frio e sim do município vizinho.

O secretário afirmou que os estudos foram concluídos pela comissão e que essa semana será efetuado o devido pagamento.

Perguntamos a Eduardo se existirão quiosques no projeto para o novo pontal. O secretário informou que no projeto está prevista a urbanização da área e um entreposto para os pescadores. Questionamos se não poderiam ser aproveitados os antigos quiosqueiros para ocuparem tendas, exatamente como funciona na Praia do forte e o secretário afirmou que existe sim essa possibilidade.